Voos longos aumentam risco de embolia

Apesar dos avanços no tratamento, falha de diagnóstico ainda preocupa

Thassio Borges

Marcos Paulo tinha 61 anos quando morreu vítima de uma embolia pulmonar, há exatos dois anos. O ator e diretor de importantes novelas e filmes fora diagnosticado, um ano antes, com câncer no esôfago e teve de ser submetido a uma cirurgia para a retirada do tumor. Foi o problema nos pulmões, no entanto, que tirou a vida do artista e chamou a atenção de boa parte dos brasileiros a respeito da enfermidade.

Coração & Vida consultou o pneumologista Humberto Bogossian, do hospital Israelita Albert Einstein, para compreender melhor as causas e o tratamento da embolia pulmonar, bem como os cuidados que devem ser tomados para evitar o surgimento da enfermidade.

“A embolia ocorre quando algum corpo obstrui uma artéria da circulação pulmonar. Na maioria das vezes, é um coágulo que pode ter se desprendido de uma trombose na perna”, explica o especialista. Bogossian apontou também os grupos de risco da doença, que pode atingir pacientes obesos, fumantes, mulheres que fazem uso de pílulas de reposição hormonal ou anticoncepcionais, por exemplo.

Um dos maiores riscos, no entanto, está relacionado justamente ao que o médico considera ter sido a principal causa da embolia que vitimou Marcos Paulo. Na ocasião, o ator havia acabado de retornar de avião ao Rio de Janeiro a partir de Manaus, de onde havia participado de um festival de cinema.

“Pacientes que ficam acamados ou imobilizados por tempo prolongado, com viagens longas de avião, por exemplo, têm chance maior de desenvolver embolia de pulmão. A pessoa viaja por muitas horas, naquela posição apertada, sentada por muito tempo, sem movimento, e isso pode gerar a doença”, completa o pneumologista.

A embolia pulmonar é, de certa forma, semelhante ao infarto e ao acidente vascular cerebral, que atingem o coração e o cérebro, respectivamente. A diferença é que o coágulo acaba entupindo veias que levam sangue ao pulmão. Assim como nos outros dois casos, a enfermidade é repentina e pode ser fulminante.

“A embolia pulmonar pode ser fatal e, para isso, há duas coisas que são importantes. Depende muito do tamanho do coágulo. Se for grande, ele vai entupir uma artéria principal do pulmão, sobrecarregando o coração e podendo evoluir para uma parada cardíaca. Essa seria embolia que evolui para morte súbita. Há também aquelas pessoas que podem vir a falecer de embolia porque se deixou de fazer o diagnóstico. A falta de tratamento pode ser fatal”, avalia Bogossian.

Segundo afirma o especialista, o que preocupa atualmente ainda é a falha no diagnóstico. “Melhorou muito, mas muita vezes o diagnóstico não é feito”, revela o pneumologista. Bogossian explica que uma tomografia com protocolo específico pode indicar a ocorrência da embolia pulmonar. Pacientes internados há muito tempo são geralmente submetidos a esse tipo de exame quando apresentam um quadro respiratório preocupante.

“Se o paciente é internado, não tem uma contra indicação formal para usar um anticoagulante preventivo e apresenta risco para trombose, é receitado um medicamento [para evitar a embolia], porque ele ficará mais parado”, completa.

Para o especialista, o cenário atual é positivo, pois tanto a prevenção, quanto o tratamento e o diagnóstico estão “muito bem estabelecidos”, apesar de algumas falhas ainda registradas. “Temos cada vez mais métodos diagnósticos, avançados e precisos. Os tratamentos são menos agressivos e mais seguros, com muitas possibilidades e oferta grande de medicamentos”.

Bogossian cita ainda um estudo norte-americano, que avaliou 42 milhões de mortes num período de 20 anos. Do total, 600 mil foram causadas por embolia pulmonar, sendo que a doença apresenta uma mortalidade aproximada de 30% entre os que não se submetem ao tratamento adequado. Confira a seguir as orientações do especialista para quem irá enfrentar uma viagem de avião superior a três horas, especialmente nas classes econômicas, que costumam oferecer poltronas menores.